Os Menudos do Morumbi

Com o surgimento dos Menudos, o Tricolor reagiu no Paulistão de 1984, no qual não estava bem, e acabou na terceira posição. No ano seguinte, a equipe apresentaria Müller, Sidnei e Silas ao time de cima, além de várias outras revelações menos conhecidas, como o volante Vizzoli e o lateral Fonseca. E Careca recuperou sua posição, formando um ataque temível ao lado de Silas, Sidnei e Müller.

 

O Tricolor fez uma campanha ruim no Brasileirão, sendo eliminado logo na segunda fase. Mas o time, que ainda estava em reconstrução, logo mostraria sua força.

 

Logo, dois jogadores chegaram para reforçar o Tricolor. O primeiro foi o goleiro Gilmar, um dos primeiros goleiros do Brasil e exercer a função de ser um líder em campo. Desde a saída de Peres há dois anos, nenhum goleiro tinha conseguido se firmar. O outro foi o lateral Zé Teodoro, que veio do Goiás. Tinha como principal característica as arrancadas.

 

O São Paulo, então, mostrou sua força no Paulistão. Foi vice campeão no primeiro turno e campeão no segundo. E o volante Falcão, sem dúvida um dos maiores volantes da história do Brasil, foi contratado junto à Roma.

 

Mas a contratação de Falcão rachou o elenco. Cilinho foi radicalmente contra, pois não abria mão de sua filosofia, que era apostar nos jovens. Se começava a jogar uma partida, na seguinte ia para a reserva. Isso foi até a semi final, quando Falcão entrou e não saiu mais.

 

Nas semi finais, os classificados foram a Portuguesa (campeã do primeiro turno e que via o São Paulo como grande rival no Paulistão), o Guarani (que no ano seguinte disputaria o título brasileiro com o Tricolor) e a surpreendente Ferroviária. O São Paulo derrotou o Bugre em uma semi final, e na outra, a Portuguesa passou como quis pelo time de Araraquara.

 

A Portuguesa usava a mesma filosofia que o São Paulo. Metade do time eram jovens que tinham vindo das categorias de base. A equipe tinha como principais peças o goleiro Serginho, o zagueiro César e os meias Toninho e Edu Marangon. Todos revelados nas categorias de base. Mas a bela equipe do Canindé não foi páreo para o São Paulo, e perdeu os dois jogos, por 3 a 1 e 2 a 1.

 

Em 1986, a temporada começaria pelos torneios estaduais, ao invés de pelo Brasileirão. E o São Paulo entrou na competição com um time reserva, afinal, os principais jogadores acabaram convocados para a Copa do Mundo de 1986. E a equipe terminou na modesta 7ª colocação no Paulistão. Cilinho, desgastado com os dirigentes, saiu. José Carlos Serrão foi chamado.

 

No Brasileirão, as reclamações começaram antes mesmo do torneio começar. Isso por que ele contava com nada menos que 80 participantes e diversas etapas preliminares, além de um regulamento esdrúxulo. Serrão saiu, e Pepe, ex ponta do Santos que ganhou tudo nos anos 60, assumiu a equipe. O São Paulo foi passando de fase em fase sem nenhuma dificuldade. Nas oitavas, deixou a surpreendente Inter de Limeira, que seria campeã paulista naquele ano, para trás. Depois, o Fluminense deu trabalho para o Tricolor, mas também foi derrotado. Na semi final, o América/RJ, que havia despachado o Corinthians, também sentiu a força do São Paulo. Na final, o Bugre. O Guarani tinha grandes jogadores, como o goleiro Sérgio Néri, o zagueiro Ricardo Rocha e o atacante Evair. Evair brigava jogo a jogo com Careca pelo posto de artilheiro da competição. No Morumbi, cada um marcou um gol e o jogo terminou em 1 a 1. No estádio Brinco de Ouro da Princesa, um dos jogos mais emocionantes da história de todas as trinta e uma finais que o Brasileirão teve (em 1971 foi um triangular final, e a partir de 2003, pontos corridos). No tempo normal, 1 a 1. Na prorrogação, o São Paulo perdia por 3 a 2 e o Guarani já comemorava o bi campeonato. Mas eis que Wagner Basílio, substituto de Oscar, machucado, e que havia falhado em um dos gols do Bugre, faz um lançamento longo ao ataque. Pita, de cabeça, dá um toque perfeito para Careca, que só tem o trabalho de chutar na medida ao gol. 3 a 3 e decisão por pênaltis, na qual o São Paulo seria mais competente e levaria o caneco.

 

Em 1987, Careca foi negociado com o Napoli e iria embora. O Tricolor foi mal na Libertadores, sendo eliminado na primeira fase. Pepe deixou a equipe e Cilinho voltou ao Tricolor. Tirou Oscar e promoveu Adílson ao time titular. Trouxe Neto, jovem promessa que seria um dos maiores ídolos da história do Corinthians, no futuro.

 

O São Paulo chegou á final contra o Corinthians. Nas duas últimas vezes que haviam decidido um título, o Corinthians havia levado a melhor. Uma terceira derrota teria um efeito devastador. Mas o São Paulo, com uma vitória por 2 a 1 e um empate, levou o caneco Paulista daquele ano.

 

Veio então o Brasileirão. Os principais clubes do país (Atlético MG, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Palmeiras, Bahia, Flamengo, Santa Cruz, Corinthians, Internacional, Fluminense, Vasco da Gama, Goiás, São Paulo, Coritiba e Santos) se rebelam contra a CBF, que organizava muito mal o Brasileirão, e funda a Copa União. E o São Paulo ganhou dois reforços: o meia Raí, irmão de Sócrates, que começou mal, nunca foi titular com Cilinho e só deslancharia a partir de 1989, e Roberto Rojas, goleiro chileno que seria expulso do futebol pela FIFA por ter simulado ter sido atingido por uma bomba durante um jogo contra o Brasil nas eliminatórias.

 

Mas Rojas, após várias falhas, foi barrado. E Raí, que não conseguia se encontrar e era desatento, não conseguia mostrar o futebol que o tornaria o Rei Raí, cinco anos depois. O São Paulo foi mal na Copa União e no Paulistão.

 

Em 1988, foi ano de reconstrução. Müller foi vendido ao Torino. Mário Tilico, ponta do Náutico, chegou para substituí-lo. O zagueiro Ivan, que se tornaria ídolo anos depois, ganhou chance, assim como o meia Rentinho e o atacante Marcelo. Mas a equipe não correspondia e foi eliminada do Paulistão. No Brasileirão, outra campanha para esquecer, e o time foi eliminado.

 

Cilinho foi demitido no início de 1989. Carlos Alberto Silva voltou ao Tricolor. Mas a molecada continuava surgindo como nunca no time de cima. E a diretoria conseguiu trazer o meia Bobô, que havia sido campeão brasileiro pelo Bahia no ano anterior, para qualificar a equipe. Raí começava a mostrar seu verdadeiro futebol, Mário Tilico começava a se destacar, Ricardo Rocha chegou do Guarani. A equipe foi campeã Paulista daquele ano.

 

 

 

No Brasileirão, o início foi ruim, conturbado, mas o time deslanchou no segundo turno e garantiu vaga na decisão com o Vasco, que tinha Bebeto, que cinco anos depois ajudaria o Brasil a ser tetra campeão do mundo. O Vasco acabou levando o título. E o vice campeonato escancarou as portas para uma incrível crise. Com o mesmo time que havia encantado em 1989, o time deu vexame em 1990 e terminou o Paulistão na décima quinta colocação, o que obrigou o Tricolor a disputar o módulo mais fraco do estadual no ano seguinte, mas isso acabou facilitando as coisas para o time, que seria Campeão Paulista.

 

Com isso, a diretoria trouxe um grande técnico, um dos maiores da história do Brasil, senão o maior. Telê Santana.

 

Telê chegou e promoveu uma limpa no time titular. Cafu se tornou titular, assim como Ivan, Antônio Carlos e Elivélton. Zetti chegou do Palmeiras, após ser desprezado pelo ex time.

 

As mudanças fizeram um bem danado ao São Paulo, que cresceu no Brasileirão, mas acabou sendo vice campeão do Corinthians. E Telê foi muito criticado por manter Ivan, de 21 anos, no lugar do experiente Ricardo Rocha.

 

Mas Telê só estava sendo ele mesmo. Para ele, seria uma injustiça tirar Ivan, que estava jogando bem, para por alguém, mesmo que esse alguém fosse Ricardo Rocha, de currículo impressionante. Telê era um técnico justo, perfeccionista e trabalhador.